Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.
Nelson Rodrigues
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19 maio 2019
13 abril 2019
Elogio da lentidão (III)
I always liked it slow:
I never liked it fast
With you it’s got to go:
With me it’s got to last
It’s not because I’m old
It’s not the life I led
I always liked it slow
That’s what my momma said
I’m slowing down the tune
I never liked it fast
You want to get there soon
I want to get there last
So baby let me go
You’re wanted back in town
In case they want to know
I’m just trying to slow it down
Leonard
Cohen – “Slow” (Popular Problems, 2014)
Elogio da lentidão (II)
Festina lente: ilustração contida numa obra do dramaturgo, prelado e historiador italiano Paolo Giovio (1483-1552), um emblema que associa uma borboleta e um caranguejo, «duas formas animais bizarras e simétricas, que estabelecem uma com a outra uma inesperada harmonia» (Italo Calvino). Podemos traduzir esta fórmula latina por apressa-te lentamente ou, recuperando uma divisa análoga, devagar que tenho pressa.
Elogio da lentidão (I)
«John Franklin, o navegador que descobriu a Passagem do Noroeste, era uma pessoa muito lenta e dedicou-se a profissões nas quais ser lento era uma vantagem competitiva. Decidiu ser navegador. Quando estava num momento crítico da sua expedição, as temperaturas baixaram muito. O mar começou a gelar e ele tinha de tomar uma decisão. Ele era o capitão. Ia para um lado ou para o outro? A tripulação estava com muito medo e ele demorou muito tempo a decidir. Tomou a decisão certa, mas a tripulação estava muito ansiosa. O biógrafo que contou a sua vida escreveu que Franklin "escapou da morte porque era mais lento do que ela". Há certos erros dos quais, pessoal e colectivamente, só nos livramos se pararmos, se formos um pouco lentos. Se formos capazes de ter uma certa antecipação do futuro. Eu tenho um detector de preguiçosos para as organizações. Quem é o que menos trabalha? É o que está mais agitado. E por vezes o mais lento é o que está a trabalhar mais, o que está a transformar. No mundo actual, há demasiada agitação improdutiva. Na política isto também se aplica. Há uma grande agitação, mas há uma grande incapacidade de transformar.»
Daniel Innerarity, politólogo basco, aqui.
Daniel Innerarity, politólogo basco, aqui.
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