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21 novembro 2017
Benjamim, o homem do Sul
Escolhi o nome do meu filho sem pensar no seu significado etimológico. A decisão foi instantânea: se for menino, vai chamar-se Benjamim. Só depois tivemos curiosidade em saber o que significa: Benjamim quer dizer filho da felicidade. Do aparato crítico de uma edição da Bíblia consta, todavia, um outro significado: etimologicamente, Benjamim significa homem do Sul. Sem que saiba dizer porquê, esta significação pareceu-me logo ainda mais bonita — e muito mais misteriosa — do que aquela que correntemente se atribui ao nome. O Benjamim vem de longe, de muito longe, e com ele chegará também algum calor e alguma luz que só encontramos em paragens meridionais. Porque talvez só nos dias longos e quentes do Sul se possa dizer o que a personagem de Karen diz a Denys em África Minha: «Digas o que disseres agora, eu acredito.»
04 setembro 2017
Liquidação total
— É antes da igreja, depois da hora do pecado.
— Desculpe? Importa-se de repetir?
Que quereria ela dizer com aquilo? Que coisa poderia significar «a hora do pecado»? Foi na sexta-feira à tarde, em Mira, por onde passámos na expectativa de tirar partido da liquidação total de uma loja falida de coisas para bebé. A «hora do pecado» era certamente A Hora do Pecado, isto é, um estabelecimento comercial. Mas de que ramo de actividade? Uma sex shop, uma charcutaria gourmet, uma boîte manhosa? Não, era uma pastelaria, e encontrava-se encerrada para férias. (Deduz-se que até os tentadores carecem de descanso. Deve haver sindicatos para isso.) Na verdade, a indígena a quem pedi informações estava equivocada: a loja de coisinhas de bebé ficava antes d’A Hora do Pecado e não depois. Entre A Hora do Pecado e a Igreja Paroquial, há um estabelecimento, sim, mas não se chama Bem-Me-Quer. Chama-se Novo Banco.
— Desculpe? Importa-se de repetir?
Que quereria ela dizer com aquilo? Que coisa poderia significar «a hora do pecado»? Foi na sexta-feira à tarde, em Mira, por onde passámos na expectativa de tirar partido da liquidação total de uma loja falida de coisas para bebé. A «hora do pecado» era certamente A Hora do Pecado, isto é, um estabelecimento comercial. Mas de que ramo de actividade? Uma sex shop, uma charcutaria gourmet, uma boîte manhosa? Não, era uma pastelaria, e encontrava-se encerrada para férias. (Deduz-se que até os tentadores carecem de descanso. Deve haver sindicatos para isso.) Na verdade, a indígena a quem pedi informações estava equivocada: a loja de coisinhas de bebé ficava antes d’A Hora do Pecado e não depois. Entre A Hora do Pecado e a Igreja Paroquial, há um estabelecimento, sim, mas não se chama Bem-Me-Quer. Chama-se Novo Banco.
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